Aplicação de resíduos do processo Kraft de produção de celulose na formulação de produtos cerâmicos porosos do tipo BIII

Referencia Apresentador Autores
(Instituição)
Resumo
05-006
Marcelo Dezena Cabrelon Dezena Cabrelon Cabrelon, M.D.(UNIFESP); Quinteiro, E.(Universidade Federal de São Paulo); Leme, D.S.(Universidade Federal de São Paulo); Nogueira, I.A.(UNIFESP); A geração de resíduos nos mais diversos setores industriais ocupa um papel de grande preocupação para os engenheiros de materiais, que buscam aumentar o potencial de reutilização ou reciclagem, para minimizar os impactos ambientais e as perdas econômicas. Dentre estes processos, o Kraft, parte do ciclo de produção de celulose, gera resíduos na etapa de recuperação química, denominados “dregs” e “grits”, sendo estes compostos em sua grande parte de carbonatos e hidróxidos de cálcio e magnésio. Em geral, esses resíduos são enviados para aterros sanitários, o que do ponto de vista ambiental não é a melhor alternativa e, da ótica econômica, os custos são bastante altos. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar estes resíduos e verificar a potencialidade de substituição de matérias-primas porogênicas naturais (calcita e dolomita) em uma formulação típica do tipo monoporosa (BIII – acima de 10% de absorção de água, segundo ABNT NBR 13818:97). Inicialmente foram caracterizados os resíduos (dregs e grifts) quando a sua composição química por fluorescência de raios X, composição mineralógica por difratometria de raios X, perfil de decomposição térmico, por análise termogravimétrica e diferencial e análise microestrutural por microscopia eletrônica de varredura. Posteriormente foram formuladas composições substituindo-se o carbonato de cálcio natural (calcita) por proporções estequiométricas dos resíduos, na faixa entre 0 e 100%. Foram confeccionados corpos-de-prova de tamanho 7x2 cm mantendo-se constante a densidade aparente a seco, os quais foram sinterizados em quatro temperaturas (1000, 1050 e 1100 e 1150°C). Foram caracterizadas a absorção de agua e a retração linear de queima (curva de gresificação), com posterior análise da resistência mecânica por ruptura, em flexão a três pontos. Os resultados mostram o poder porogêncio de ambos resíduos analisados, gerando produtos classificados como BIII, compatíveis com as amostras formuladas com as matérias-primas naturais.
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