Estudo do empeno em porcelanato esmaltado

Referencia Apresentador Autores
(Instituição)
Resumo
05-027
Pâmela Cabreira Milak Milak, P.C.(Instituto Maximiliano Gaidzinski); Souza, M.T.(Universidade Federal de Santa Catarina); Guollo, D.(Eliane Revestimentos Cerâmicos); Melo, L.(Instituto Maximiliano Gaidzinski); Fernandes, J.(Instituto Maximiliano Gaidzinski); Magagnin, G.(Instituto Maximiliano Gaidzinski); A planaridade é um dos requisitos mais importantes dos revestimentos cerâmicos, uma vez que é imprescindível para que o revestimento cumpra sua finalidade de revestir paredes e pisos com qualidade, além de higienizar e agregar estética ao ambiente. São inúmeros os fatores que interferem na planaridade de peças cerâmicas, especialmente em se trabalho de porcelanato esmaltado que apresenta em sua massa fases vítreas que em contato com a água podem afetar a expansão por umidade, influenciando também no empeno retardado. Os revestimentos cerâmicos em geral são compostos por três camadas distintas: o suporte cerâmico, o engobe e o esmalte, com composição química diferente e conseqüentemente propriedades físicas e químicas distintas. Durante o processo de queima, os distintos componentes do produto (massa, engobe e esmalte) sofrem alterações em suas dimensões à medida que ocorre o aumento ou a redução de temperatura. Se estes componentes não apresentarem expansão ou retração compatível, as peças tendem a se curvar como uma forma de relaxar as tensões geradas. É após esta etapa que a curvatura de revestimentos cerâmicos é evidenciada. Além das variáveis de queima, as características das camadas de engobe e esmalte têm grande influência sobre a planaridade de revestimentos cerâmicos. Assim, buscando-se o aprimoramento do conhecimento técnico sobre este tema, na atualidade, onde são produzidos grandes formatos, o objetivo deste trabalho é avaliar a influência de diferentes camadas de engobe e esmalte sobre a curvatura e o empenho diferido da tipologia porcelanato esmaltado. O estudo foi realizado em linha industrial no produto porcelanato esmaltado bitola 60x60 cm, utilizando insumos de fábrica: massa, engobe e esmalte. As peças foram compactadas com pressão manométrica de 340 bar, coletadas da mesma cavidade da prensa para evitar possíveis variações de pressão e densidade. Variações de camadas de engobe e esmalte foram realizadas totalizando 10 provas distintas. A queima se deu em forno industrial, na posição central no forno, em duas condições de temperatura 1188 ºC (Q1) e 1195 ºC (Q2) com um ciclo de 41 min. Para a análise de resultados foram efetuados medições de planaridade nas quatro laterais das peças. A primeira medida foi obtida no instante em que cada peça foi retirada do forno, e as demais nos dias seguintes no mesmo horário, até não haver mais variação nos dados. As peças também foram avaliadas quanto à sua curvatura. Com os teste percebeu-se a clara tendência de que o aumento da camada de engobe ou diminuição da camada de esmalte provocam uma curvatura mais negativa, enquanto que o aumento da camada de esmalte, ou combinação que o favoreça, colabora para que o empenho se apresente mais positivo. Já avaliando as medições no primeiro dia, nota-se que a peça é mais negativa quando sai do forno, do que quando estabiliza sua curvatura. A curvatura é mais positiva quando queimada apenas a massa (M), e tende a ficar negativa tanto com a adição de engobe quanto de esmalte, em qualquer proporção. Em relação à curvatura côncava ou convexa todas as amostras apresentaram curvatura convexa, ou seja positiva, exceto a prova com massa e engobe apenas, da queima 2, que mostrou-se côncava. Este resultado é positivo, pois segue o indicado para produtos cerâmicos, de que se houver curvatura, o ideal é que esta se apresentem no sentido positivo, pois os materiais cerâmicos são mais resistentes a compressão do que à tração, e este é o esforço sofrido pelo vidrado neste caso. Contudo é importante ressaltar que as peças queimadas na temperatura maior, queima 2 apresentaram o empeno positivo menor do que as peças queimadas em temperatura inferior. Isso pode estar relacionado com a retração do engobe. Estudos recentes indicam que a retração do engobe tem tanta influência sobre o empenho quanto a própria dilatação. As temperaturas de queima industriais são ajustadas conforme a condição da massa. Isso ocorre pois para que não haja variação no tamanho do produto final, a retração da massa precisa continuar constante mesmo com variações na temperatura de queima. Assim, ao compararmos duas condições de queima, a primeira com temperatura menor - Q1 e a segunda com temperatura maior - Q2, e considerando que a massa não sofre alteração de retração, estima-se que a retração do engobe seja maior quando a temperatura de queima aumenta. Nesse caso as peças obtidas na queima Q2 apresentam-se menos convexas em relação àquelas obtidas em Q1. O que pode-se afirmar com os dados é que a temperatura de sinterização maior colaborou para a menor variação de curvatura em todas os testes com o passar dos dias.
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