ATIVAÇÃO DE ESCÓRIA DE ALTO-FORNO COM LAMA VERMELHA: MONITORAMENTO DA REAÇÃO QUÍMICA E LIXIVIAÇÃO DE ÁLCALIS

Referencia Apresentador Autores
(Instituição)
Resumo
06-023
Gabriela Simões Soares Soares, G.S.(Universidade de São Paulo); Roschel, B.P.(Universidade de São Paulo); Romano, R.C.(Universidade de São Paulo); Pileggi, R.G.(Universidade de São Paulo); Cincotto, M.A.(Universidade de São Paulo); A lama vermelha (LV), é um resíduo gerado em grande volume na cadeia de obtenção de alumínio metálico, que até o momento não foi desenvolvida nenhuma aplicação em larga escala. Uma boa estimativa é que para cada 4 toneladas do minério digeridas com soda cáustica resulta em torno de 2,5 toneladas de lama, dependendo do grau de pureza da bauxita e, a maior parte do material é descartada em lagoas de sedimentação, resultando em considerável impacto ambiental. Uma alternativa para a aplicação em grande quantidade para o rejeito é a adição no cimento Portland em composições de concretos e argamassas por ser o produto industrializado mais consumido no mundo: estima-se que a produção anual esteja em mais de 5 bilhões ton/ano, gerando atualmente cerca de 7% do total de emissões de dióxido de carbono liberado na atmosfera, com prognóstico de crescimento. Desta forma, no caso da associação lama-cimento ser obtida com sucesso, pode-se diminuir o impacto ambiental tanto da cadeia de produção do cimento quanto do alumínio. Vários trabalhos seguindo esta linha já foram publicados, nos quais ficou comprovado que a utilização da lama vermelha aumenta a demanda de água para o amassamento, afeta a cinética de reação e a formação dos compostos hidratados, pode alterar as propriedades no estado endurecido das composições e às relacionadas com a durabilidade. Muitas das características no estado endurecido são melhoradas, mas ainda não se pode dizer que o rejeito pode ser aplicado como material cimentício suplementar, já que não se tem dados convincentes sobre os aspectos relacionados com a lixiviação de íons potencialmente prejudiciais ao meio ambiente após a colocação do concreto ou argamassa em uso. Sendo assim, é muito importante a busca por alternativas para a captura e manutenção dos íons solúveis na microestrutura dos materiais cimentícios. Uma delas é a utilização de ligantes compostos com escória de alto-forno visto que a elevada alcalinidade pode ativá-la. Espera-se que a lama se torne uma nova adição mineral para aplicação em associação com qualquer tipo de cimento. Neste trabalho a lama vermelha foi utilizada para ativação alcalina da escória de alto-forno (E), visando a geração de um produto com menor potencial de lixiviação que possa ser utilizado futuramente nas composições cimentícias. Os materiais foram associados em diferentes proporções e a reação de hidratação da escória monitorada por calorimetria de condução isotérmica. Os produtos formados foram avaliados por análise termogravimétrica, difratometria de raios X, distribuição granulométrica a laser, área superficial específica e porosidade (método de BET), e o impacto na lixiviação dos álcalis foi determinado por espectrofotometria de absorção atômica. Os resultados indicaram a melhor proporção LV-E e a diminuição da quantidade de álcalis solúveis da lama vermelha em função da reação com a escória.
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